Futuro não é evento, é processo de decisão nos negócios. Antecipar custa menos do que reagir

por | fev 23, 2026 | Cenários, estratégia, Estudos de Futuros, Futurismo, inovação, liderança, Strategic Foresight, Tendências

Jonas Junior – Gestor de Futuros na W Futurismo – 23/02/2026 ( Curadoria Jaqueline Weigel )

A diferença não é tecnologia, é ter competência de antecipação e Visão de Futuros

De tempos em tempos, o mercado é sacudido por manchetes previsíveis:

  • “Empresa X paga resgate milionário após ataque hacker.”
  • “Empresa Y demite 30% da força de trabalho após automação.”

Essas notícias costumam ser tratadas como fatalidades. Como crises inevitáveis. Ou como efeitos colaterais do “progresso tecnológico”.

Mas essa é uma leitura superficial. Empresas não são vítimas do acaso tecnológico. Elas falham — ou prosperam — na forma como organizam o presente para produzir o futuro. E é exatamente isso que explica por que algumas organizações parecem operar em 2036, enquanto outras ainda estão tentando sobreviver a 2026.

Não existe salto mágico no tempo. Existe coerência estratégica sustentada ao longo dos anos. Existe método. Existe #Foresight acoplado à arquitetura de decisão.

Onde Foresight Estratégico realmente gera valor?

A pergunta não deveria ser :“Quais empresas fazem relatórios de tendências?” e sim “Onde o Foresight está conectado às decisões que alocam capital, definem riscos e moldam capacidades organizacionais?”

Foresight não é relatório, é disciplina de gestão.

Vamos observar dois sinais estruturais do presente que estão definindo os vencedores e perdedores da próxima década.

  1. Cibersegurança como Infraestrutura de Confiança

O Global Risks Report 2026, do Fórum Econômico Mundial, posiciona a Insegurança Cibernética entre os principais riscos globais no horizonte de curto prazo.

Os sinais já estavam claros:

  • Ataques de ransomware cresceram significativamente nos últimos anos.
  • Setores críticos como saúde, energia e manufatura tornaram-se alvos prioritários.
  • Cadeias de suprimentos digitais ampliaram a superfície de exposição.

O Caso Synnovis: quando antecipação não estava no sistema

Em junho de 2024, a Synnovis, provedora de serviços laboratoriais do NHS (Reino Unido), sofreu um ataque de ransomware que paralisou sistemas hospitalares.

Cirurgias foram canceladas.
Testes laboratoriais atrasados.
Um paciente morreu durante o período de disrupção.

Não foi apenas um incidente de TI. Foi uma falha sistêmica de resiliência.

A questão não é “sofrer um ataque” e sim qual era o nível de redundância?

Quais cenários haviam sido ensaiados? Que arquitetura de contingência existia?

Foresight não elimina riscos, reduz o impacto sistêmico dos riscos

O Caso Ingram Micro: escala sem blindagem estratégica

Em 2025, a Ingram Micro, gigante global de distribuição de tecnologia, sofreu um ataque que expôs dados sensíveis de milhares de pessoas.

O custo não foi apenas financeiro. Foi reputacional, jurídico e institucional.

Empresas que tratam segurança como despesa reativa pagam crises exponenciais.
Empresas que tratam segurança como infraestrutura de confiança fazem outro cálculo:

“Qual é o custo de perder a credibilidade do nosso ecossistema?”

Organizações que integram Foresight à estratégia de risco investem antes da crise, não para evitar todo evento adverso — mas para impedir que ele se torne existencial.

Foresight, nesse contexto, é arquitetura de resiliência.

  1. Inteligência Artificial como Arquitetura de Competitividade

A Inteligência Artificial é outro exemplo clássico de miopia estratégica.

A maioria das empresas trata IA como:

  • Projeto piloto
  • Teste de inovação
  • Ferramenta de eficiência

Mas infraestrutura muda o jogo.

Quando uma tecnologia se torna infraestrutura estratégica — como energia ou internet no passado — ela deixa de ser experimento e passa a ser base estrutural do modelo de negócio.

Segundo o estudo The State of AI in 2025 da McKinsey:

  • 88% das empresas já utilizam IA de alguma forma
  • Apenas cerca de um terço consegue escalar para gerar valor real

A diferença?

Os “high performers” não usam IA apenas para cortar custos.
Eles redesenham workflows, criam novos modelos de receita e constroem novas capacidades organizacionais.

O Global Risks Report 2026 também mostra que “Resultados adversos de IA” sobem dramaticamente no horizonte de 10 anos.

O risco não é a tecnologia. É a implementação sem direção estratégica.

Foresight aplicado à IA significa:

  • Definir qual papel a tecnologia terá no futuro desejado da organização
  • Integrar governança, ética e modelo operacional
  • Redesenhar processos antes que a obsolescência seja imposta externamente

Não se trata de automatizar mais rápido. Trata-se de decidir melhor.

Por que algumas empresas “parecem viver no futuro”?

A sensação de avanço não vem de um produto inovador, vem de coerência.

Coerência entre:

  • Visão de longo prazo
  • Planejamento estratégico
  • Alocação de capital
  • Desenvolvimento de capacidades
  • Execução disciplinada

Essa coerência é cultivada no C-level ano após ano, com ajustes, revisões e realinhamentos.

Foresight não é previsão. É disciplina estratégica.

Antecipar significa:

  • Tratar o futuro como parte da governança corporativa
    • Conectar cenários a decisões reais de investimento
    • Construir capacidade institucional de navegar incerteza
    • Ensaiar futuros possíveis antes que eles se imponham

Organizações maduras em Foresight entendem algo essencial: o custo de antecipar é sempre menor do que o custo de reagir.

A pergunta central

Sua empresa está operando apenas para sobreviver aos próximos trimestres? Ou está construindo deliberadamente o posicionamento que deseja ocupar em 2036?

O futuro não chega pronto. Ele é construído por quem tem método para antecipar, escolher e sustentar decisões no presente.

É exatamente essa disciplina que diferencia empresas reativas de organizações estrategicamente orientadas ao longo prazo. E é nesse ponto que Foresight deixa de ser tendência — e se torna competência essencial de liderança.

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