Facebook, um retrato da vida real

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Inspirada na época de eleições, decidi escrever sobre o estranho comportamento humano frente à diversidade e as diferenças de sua espécie. A metralhadora digital, aberta na rede nas últimas semanas, mostrou nosso lado sombrio. Todos nós assistimos estarrecidos o show de manifestações agressivas na rede, especialmente no Facebook. (Leia mais no artigo Qual é a nossa identidade social?  aqui no blog).

A liberdade social requer permissão para manifestação sem julgamentos. Algo impossível para a maioria dos seres humanos: não julgar. A diversidade é composta por multiplicidade, diferentes pontos de vista, várias identidades, opiniões comuns e contrárias e visões ampliadas sobre um mesmo fato. Neste ambiente, termos como “concordo” e “não concordo”, “ certo” ou “ errado” são relativos à cada situação, e extremamente nocivos ao debate democrático. (Leia mais no artigo O Futuro do Brasil aqui no blog).

A maioria das pessoas quando lê um manifesto no Facebook entende que debater é manifestar sua opinião sem cuidado. Imagina que o que o outro escreve é regado a verdades absolutas que afrontam quem não está de acordo com o que foi dito ou escrito. Ou pior, interpreta, distorce e mistura o que está escrito com suas lentes pessoais. É o velho gatilho dos conflitos humanos: o choque de valores. O mesmo acontece com os relacionamentos na vida real.  

Estas matizes de uma conversa só nos levam para diálogos sem nenhum valor agregado aos participantes. Democracia não significa senso comum, tampouco pessoas debatendo como ursos enfurecidos para ver quem no final leva o troféu: “Você está certo!”

Pontos de vista diferentes, no Facebook e na vida real

Quando o tema gira em torno de diferentes pontos de vista ou discordâncias, poucos conseguem manter a calma. Quase ninguém conhece técnicas como “one down”, onde uma das partes usa a sabedoria e a humildade para diminuir o tom e ouvir com interesse pontos diferentes do seu, e então, revisar sua própria visão de forma espontânea.

Japoneses fazem isso muito bem, e este tipo de atitude exige muito desenvolvimento espiritual e emocional. Selvagens também usam esta técnica com muita sabedoria, e argumentadores baratos jamais serão ouvidos por quem tem uma mente treinada, analítica e sem compromisso com a cristalização e idéias. 

Quando nos manifestamos no Facebook com o desejo explícito ou oculto de ter razão ou de impor nossa verdade, um alerta emocional de rejeição a nossas ideias se instala imediatamente, e a conversa que poderia enriquecer a todos acaba vazia. É por isso que debates na redes se tornam pobres e unilaterais, porque os debatedores não estão na conversa para ouvir, só para falar mais alto, em cima do que o outro manifesta. 

Claramente, a maioria dos cidadãos se uniu em torno de um grito de mudança, e talvez esta eleição seja o recomeço de uma nova história para o Brasil. Talvez mais alguns ciclos acontecem até que o velho Brasil desapareça de verdade. (Leia mais no artigo “Nossos Futuros” aqui no blog)

Há grandes lições desta eleição. Uma delas nos desafia: quem são os brasileiros que amam seu país sem partido, fazem escolhas pensando em um futuro melhor para todos, convivem e respeitam quem é diferente e em hipótese alguma atacam outro ser que vive sob a mesma bandeira?

Para merecer um Brasil melhor, precisamos tornar-nos uma comunidade mais digna e capaz de lidar com a diversidade. 

Escrito por Jaqueline Weigel 

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