A Inteligência Artificial saiu do palco e entrou na operação. Agora começa os riscos são de verdade!

por | fev 16, 2026 | Cenários, Estudos de Futuros, Futurismo, inovação, liderança, Strategic Foresight, Tendências

Por Vinícius Silva, head de Foresight e Digital da W Futurismo

O maior erro de 2026 talvez seja continuar tratando IA como “ferramenta” , quando, na prática, ela já começa a participar de cadeias de decisão.

Nos últimos anos, a IA já se distanciou de um possível FAD* ( moda,marola, hype) , deixou de ser apenas um tema de apresentação e vem entrando nos fluxos reais de trabalho: atendimento, crédito, RH, compliance, segurança, operações.

E existe uma diferença importante aqui: ela não está só ajudando a produzir conteúdo, ela está influenciando escolhas. Isso muda o tipo de risco.

Quando IA passa a operar dentro do processo ela pode acelerar decisões. E decisões aceleradas, quando não têm critérios claros, tendem a produzir efeitos colaterais. Às vezes pequenos. Às vezes difíceis de reverter.

Talvez o ponto central não seja “adotar ou não adotar IA”. Isso já não é mais uma discussão binária. A questão é o que acontece quando a empresa escala tecnologia antes de escalar capacidade.

E capacidade, aqui, não é mais gente de dados. É governança, a clareza de papéis, a responsabilidades soberania e, especialmente , saber quando parar.

#Foresight Estratégico e Governança de Futuros entram exatamente nesse lugar. Não como tentativa de prever onde a IA vai chegar, mas como uma forma de estruturar a trajetória: quais decisões podem ser automatizadas, quais precisam de supervisão, quais exigem explicabilidade e quais simplesmente não deveriam ser delegadas.

Há uma frase recente do Dubai Future Fórum: o futuro não acontece “por acaso”, ele é moldado por quem atravessa fronteiras e certezas. Se isso é verdade, delegar escolhas críticas a sistemas sem governança é inovar contando com a sorte não por intenção.

E o tema não é abstrato. Já existem exemplos conhecidos de decisões automatizadas gerando consequências reais. Nos EUA, a ProPublica levantou discussões sobre vieses em sistemas de avaliação de risco usados no sistema de justiça. Na Holanda, o escândalo do “childcare benefits” envolveu sistemas que levaram famílias a serem acusadas injustamente de fraude. Não porque alguém “quis errar”, mas porque uma cadeia de decisão pode ganhar velocidade e perder discernimento.

Se a sua empresa já colocou IA dentro de processos decisórios — ou está prestes a fazer isso — talvez valha fazer um teste simples. Não sobre tecnologia, mas sobre maturidade:

  1. Onde a IA está decidindo, e não apenas sugerindo?
  2. Quem é responsável pela decisão automatizada (de verdade)?
  3. Quais decisões são reversíveis e quais são irreversíveis?
  4. A organização consegue explicar o porquê — ou só apresenta o resultado?
  5. Existem gatilhos claros de pausa, reversão ou modo manual?
  6. Há monitoramento de viés, drift e efeitos colaterais?

Essas perguntas não servem para frear inovação masa para evitar que inovação vire risco sistêmico.

Uma forma prática de colocar “trajetória de futuro” na agenda de IA é tratar adoção como jornada de capacidades. Algo como:

H1: IA como assistente (ganho de produtividade, baixa autonomia decisória)
H2: IA como orquestração (integra fluxos e começa a influenciar decisões operacionais)
H3: IA com autonomia (prioridades, exceções e políticas — e aí o risco sobe de nível)

No fim, talvez essa seja a mudança mais importante: IA vai deixando de ser só produtividade e passando a ser infraestrutura de decisão.

E infraestrutura, cedo ou tarde, exige arquitetura.

É nesse ponto que a W Futurismo consegue apoiar empresas: ajudando a transformar a adoção de IA em competência estratégica, conectando sinais, cenários e riscos a escolhas claras sobre governança, responsabilidade e trajetória.

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