Agenciamento, a mega competência do futuro

por | out 4, 2021 | Estudos de Futuros, Futurismo, Strategic Foresight

Agency, ou agenciamento, a mega competência do futuro, do Século 21, que  começa em casa e na escola.

A capacidade de se auto gerenciar, de se relacionar com outras pessoas e de tornar-se um cidadão planetário são as habilidades que ouvi em um workshop da UNESCO na Finlândia há alguns anos atrás como as mais relevantes da próxima década.

O sistema educacional tem um enorme desafio de preparar os jovens para a autonomia e para a tomada de responsabilidade com as escolhas feitas na vida e no trabalho.

Agenciamento significa a capacidade e a propensão de agir com propósito claro, e é chave para o sucesso daqui para frente. Adultos infantis, medrosos e vitimistas não terão mais espaço no novo mundo. Há milhares de novas oportunidades no planeta, e abraçá-las exige desprendimento e coragem.

Agenciar-se significa ter a capacidade de influenciar o ambiente, seguir regras e rotinas sem jeitinhos, apropriar-se do potencial pessoal, lidar bem com as diferentes maneiras como somos percebidos pelos outros e ao longo do caminho, mensurar ações que afetam resultados futuros.

Desenvolvemos esta capacidade cruzando nossa auto percepção com o os demais percebem a nosso respeito, de forma aberta e leve, com a intenção de corrigir, processar e ajustar nossa atitude o tempo todo.  O agenciamento é desenvolvido na escola e no ambiente profissional com aprendizagens combinadas, onde quem aprende tem espaço para co-criar, estabelecer seu ritmo e escolher o ambiente em que melhor aprende, o que nos liberta das salas de confinamento. Ambientes de aprendizagem modernos são baseados em iniciativas onde os alunos podem mostrar o que sabem e progridem com base no domínio demonstrado. Tão limitadoras para a criatividade humana.A jornada de agenciamento está apoiada em projetos de interesse individual ou grupal dos alunos, que são encorajados a se expressar livremente, recrutar habilidades que já tem para moldar a questão, o processo e o produto do trabalho. Além disso, a nova educação escolar e corporativa preconiza que o aluno ou o profissional escolha o que quer aprender, com base em referências que ele mesmo tem e na visão de propósito e longo prazo. A escola e os negócios como conhecemos já estão em declínio acelerado. O modelo industrial está em cheque. A nova escola vem se adaptando a esta nova realidade e deve preparar melhor os profissionais para o futuro. Pais e professores talvez ainda se sintam perdidos neste processo, porque desconhecem os sinais do que vem pela frente. Aos poucos, os velhos moldes vão dando espaço a novos formatos, mais reais e mais saudáveis para a evolução natural de nossa espécie. Liderar a si mesmo e tornar-se capaz de ser seu próprio agente de evolução e realização. Um luxo ao alcance de todos nós. Aproprie-se da sua jornada pessoal e profissional e apoie quem já está neste caminho.

Jaqueline Weigel, jornal Gazeta do Sul, 04/10/21 – imagem Tecla SAP