Freeworkers profissionais: o perfil do jovem na 4ª Revolução Industrial

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Quem é, o que pensa e como age o novo profissional do século 21, diante da convergência das tecnologias física, biológica e digital, que deu início a mais profunda revolução que à raça humana já vivenciou

Boomers dão espaço aos Ys, que cedem espaço para a geração Z, que inaugura a era dos sem idade. Hoje, os jovens profissionais dão o tom do que será o novo mercado na próxima década. Todas as gerações vêm se adaptando à nova melodia que começa a ser tocada no cenário profissional.

4.0 é um termo bem popular, mas no mundo já se fala em indústria avançada e era pós-digital. Novos perfis vêm surgindo rapidamente, e a minha tese é a de que a natureza humana — até então atrofiada em torno de padrões, metas, glamour e sucesso efêmero — agora se liberta para uma nova era: de transformar o trabalho em uma forma de expressão, como sempre deveria ter sido. O novo jeito tem pouco a ver com o perfil do profissional e muita relação com coragem para ressignificar a vida e o trabalho.

Durante décadas, nos rendemos a modelos de produção nocivos e limitantes, que nos levaram a uma baixa qualificação no ranking mundial: somos improdutivos no Brasil. Tornamo-nos reféns de demandas intermináveis, de pressão por resultado e confinamento de até 15 horas no ambiente de trabalho. Criamos patologias corporativas, doenças sintomáticas, síndrome do pânico no domingo à noite e mau humor crônico na segunda-feira pela manhã, porque o trabalho era um fardo pesado e dissociado da vida feliz.

(Não perca o artigo O Futuro encolheu nosso tempo? com uma análise interessante sobre a escassez de tempo tão presente nos dias atuais.)

A convergência das tecnologias física, biológica e digital deu início à mais profunda revolução que a raça humana já viveu. A chamada 4ª Revolução Industrial é o início da transformação do mundo. Muitos não acreditaram que seria um tsunami tão devastador e hoje já reconhecem o fato como um movimento que veio para ficar.

Atualmente, 100% das empresas debatem a inovação e a era 4.0 e questionam sua sobrevivência em tempos digitais e disruptivos.

Uma nova categoria toma espaço no trabalho: os freeworkers, compostos em sua maioria por jovens. Eles serão 50% até 2020 e irão representar 75% da força de trabalho do mundo até 2025. Composta em sua maioria por millennials, são hypsters, informais, tatuados, barbudos, profissionais autênticos que trocaram o terno por jeans, o sapato por tênis e a hierarquia por ecossistemas colaborativos. Homens, mulheres e muitos gêneros unidos por um mundo melhor. Mulheres incríveis ocupando esferas até então masculinizadas e mostrando mais competência. Receitas glamourosas e planos românticos de vida substituídos por jornadas com propósito e negócios de impacto.

Somos uma população sem idade, sem gênero, sem cor e sem preconceito. Esta é a cara da nova geração. Não importa o que você tem, de que família veio, onde estudou, e sim o que é capaz de aprender e fazer para transformar o mundo.

O jovem atual representa o trabalhador do novo mundo, que não aceita ser confinado, nem se rende a premissas de sobrevivência, negociação de valores morais, controle ou liderança ruim. Ele rejeita hierarquia, carreiras quadradas, vida vazia. Não cogita ser escravo ou refém do dinheiro, de se encaixar em uma vida limitante e baseada no que os outros julgam ser importante.

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Para essa tribo de jovens profissionais, a vida é sagrada e o dinheiro é uma ferramenta e uma consequência de um trabalho bem-feito

Geralmente, são pessoas bem formadas em termos humanos (não me refiro a escola ou condição social). Têm caráter, personalidade e coragem de romper paradigmas e padrões preestabelecidos. Decidem cedo a vida que desejam, encaram as limitações das gerações anteriores e têm ambições ousadas de mudar o mundo e se reforçam quando encontram pessoas da mesma tribo.

São cidadãos do planeta, falam mais de um idioma, viajam, plugam-se a ecossistemas diferentes, encaram papéis diversos pela experiência e, de tudo que vivem, extraem um aprendizado. Já entenderam que terão mais de uma carreira, que podem ter mais de um trabalho ao mesmo tempo e podem compor sua renda com diferentes receitas. Vivem com pouco, mas vivem intensamente. Acham ostentar cafona, apostam em um mundo com significado, não em poder, fama ou status.

São inteligentes, articulados e destemidos. Constrangem pessoas de qualquer nível executivo com sua desenvoltura. Têm um idioma digital, universal, próprio. São desapegados, conectados e extremamente ágeis. Fazem mil coisas ao mesmo tempo, trocam, compartilham, se ajudam mutuamente e trabalham em grupo.

Para o trabalho, elegem projetos com causa, empresas com ambição social. Exigem horários livres, locais de trabalho descolados, boa liderança. Na aparência, são autênticos e não fazem nenhuma questão de parecer o que não são. Não têm medo de dizer que não sabem sobre algum assunto, mas que irão aprender. E aprendem. Questionam regras tolas, quebram paradigmas, sugerem o impensável.

Ficar confinado significa tornar-se improdutivo e parar de aprender, mesmo que o ambiente mude de tempos em tempos. Estar exposto ao mercado aberto nos faz desenvolver inúmeras habilidades, já que um dia é completamente diferente do outro.

Ao observar padrões coletivos, vejo que há um êxodo do mundo corporativo de pessoas de todas as idades. O modelo não nutre mais as necessidades humanas. Pesquisas apontam alta taxa de suicídio entre os jovens pelo mundo, por rejeição ao universo de trabalho nos moldes ultrapassados. Por que insistir em um modelo que já provou não atender mais a sociedade?

Home working, cafés, labs e coworkings são espaços de trabalho cada vez mais comuns. Para essa tribo, a vida é sagrada e o dinheiro é uma ferramenta e uma consequência de um trabalho bem-feito.

Em cada transição profissional, esses novos trabalhadores aprendem mais sobre si mesmos e muitos já se conhecem mais que alguns adultos de 60 anos, pouco acostumados às perguntas essenciais da vida.

Praticam ainda o give it back (devolva o que recebeu para o mundo), não têm ambições de acumular bens, só de usufruí-los ou de trocar sempre que for necessário. São pessoas com forte marca pessoal, alto senso de automotivação, crescimento e conquista.

Como empreendedores, são muito preparados. Têm pensamento exponencial, andam em curvas sem necessidade de garantias. São altruístas, bem resolvidos com dinheiro, escolhem seus clientes, renunciam o que não conversa com sua essência. São digitais, tecnológicos e incansáveis.

Têm pensamento crítico, criatividade, forte senso de servir, adoram problemas complexos e não têm preguiça. Sua vida é pública e engajar pessoas em uma causa é seu lema e seu principal talento.

A globalização, a mobilidade, as mudanças demográficas, os novos comportamentos, a tecnologia e os millennials estão transformando o mundo em um lugar melhor de se viver e trabalhar.

Eles não trabalham em um local, vivem no mundo e são o trabalho em si. Lutam bravamente por mudanças organizacionais. Escolhem e demitem empresas, projetos e líderes sem medo. Não esperam as oportunidades, as criam! E exigem agilidade.

Sua empresa está pronta para este novo mercado? É inútil lutar contra ou pregar que os jovens são uma geração descompromissada e sem valores. Assim como dizer que haverá uma geração de inúteis no futuro não agrega nada em nossa discussão atual. O ser humano é adaptável, evolutivo e saberá viver em um planeta regenerado.

Essa geração tem deficiências, como todas as outras, mas já é uma geração de notáveis na história da raça humana, porque corajosamente desafia o que existe para criar algo mais oxigenado. Junte-se a esses novos atores do mundo, aprenda sobre esse interessante novo jeito de ser e viver daqueles que movimentam aceleradamente a nova economia global e que comandarão as empresas do futuro pós-emergente!

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Por Jaqueline Weigel

Artigo publicado na revista ESPM – Abril/Maio/Junho de 2018